1.º de Dezembro – o dia de Portugal

Artigo de opinião de Frederico Carvalho, Arqueólogo, Investigador e Empresário, acerca do 1º de Dezembro, ao jornal Tribuna do Alentejo.

À aurora do mês de Dezembro, época especialmente festiva pelos motivos religiosos que ainda tanto dizem aos portugueses pela sua crença e devoção, haveria outro motivo que também muito nos diz respeito e motivaria uma iluminação patriótica. O Iº de Dezembro que deixou de ser feriado nacional no consulado do 1º- ministro Passos Coelho [Lei nº 23/2012, de 25 de Junho de 2012] é um evento histórico que marca indelevelmente o trajecto de um território como estado independente desde 1640.

Apesar da esmagadora maioria dos feriados nacionais pouco terem actualmente motivos festivos, no Alentejo, região que melhor conheço, o Iº de Dezembro ainda era festejado aquando do mesmo ser feriado, desde terras mais raianas, até regiões mais costeiras. A efeméride sempre foi celebrada com bailes populares, desfiles de bandas, paradas militares, entre outros tantos motivos festivaleiros que nos relembravam da importância deste dia. Admito que gradualmente este, como outros tantos feriados nacionais foram deixando de ter a sua conotação original e passaram simplesmente a ser dias de descanso entre a sociedade civil. Mas tanto esses feriados e tudo aquilo de que se revestem de significado que que se fora dissipando, como a própria ausência de sensibilidade histórica da nossa classe política anteciparam a anuência popular para este ultraje praticado pelo actual Governo. Daí surge oportunamente o Movimento Iº de Dezembro, a 12 de Julho de 2012, congeminado pela Sociedade Histórica para a Independência de Portugal [SHIP] e pela mão de renomeados políticos, historiadores, militares, diplomatas, professores e outras figuras públicas, como forma de lutar não apenas pela restauração do feriado que deveria ser o verdadeiro, o original Dia de Portugal, como valorizá-lo e celebrá-lo condignamente, demonstrando o apreço popular pelo significado histórico de um dia que forjou Portugal como umas das nações mais antigas do Mundo e colaborar para o seu enraizamento junto da sociedade civil. Pretende ainda e também este recém- criado movimento colaborar com a SHIP, a representante histórica do espirito imbuído da Restauração de 1640.

Dito isto não poderia deixar de me associar a um movimento de cariz popular, supra partidário que nasce da vontade expressa de recuperar e valorizar um dia que tanto nos diz enquanto povo pejado de identidade própria e de uma herança cultural ímpar. É um movimento que apela a todos os partidos políticos com assento parlamentar para que ponderem revogar a decisão tomada de abolir o dia feriado, seja de forma informal, seja por intermédio de uma iniciativa parlamentar promovida através de assinaturas que qualquer cidadão poderá subscrever para o cito efeito.

A ideia inédita de criar um desfile de bandas a desfilar pela Avenida da Liberdade tem tido uma crescente adesão por agremiações de todo o país que têm vindo a demonstrar um enorme interesse em vir até Lisboa assinalar o dia como um marco na história de Portugal. Dessa forma tem-se suscitado uma vontade cada vez mais objectiva e viável da realização de um concurso nacional de bandas filarmónicas como o culminar de uma iniciativa que pretende muito mais que a recuperação deste dia, de criar um especial élan envolta desta comemoração, dando quiçá aos portugueses e à sociedade nacional um tributo de maior convergência, solidariedade e empenho em torno de causas nacionais de que somos tradicionalmente um pouco alheados.

Tenho total confiança que este erro crasso criado pelo actual Governo será corrigido a breve trecho, inclusivamente caso o Partido Socialista liderado por António Costa, um indefectível amigo desta causa, vença as próximas legislativas em 2015. De qualquer forma o respeito pelos nossos valores e da nossa identidade não se compadece com caprichos partidários ou prioridades políticas. Poderia e muito bem este mal-entendido ter sido anulado ainda no consulado de Passos Coelho.

Por tudo isto e porque acredito que Portugal vive um momento único no seu processo de maturidade política e social e por me sentir totalmente empenhado em contribuir para uma causa que merece grande apreço, Eu Digo Sim ao Iº de Dezembro e no próximo dia 30 de Novembro estarei na Avenida da Liberdade a celebrar junto de outros restauradores a convicção da força de um Portugal coeso, solidário e optimista no seu Futuro.